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Rafael Susskind
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ANPD se torna Agência Reguladora e reforça proteção de crianças no ambiente digital

O Congresso Nacional aprovou a Medida Provisória que transforma a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) em agência reguladora, promovendo uma mudança estrutural relevante no modelo institucional da proteção de dados no Brasil. Com o novo status, a ANPD passa a contar com maior autonomia administrativa, técnica e financeira, o que fortalece sua independência decisória e amplia sua capacidade de regulamentar, supervisionar e sancionar agentes de tratamento de dados pessoais. Na prática, a medida tende a conferir maior estabilidade regulatória, previsibilidade normativa e robustez institucional à aplicação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), alinhando o Brasil às melhores práticas internacionais em matéria de autoridades de proteção de dados.

Além do fortalecimento institucional, a norma também dá ênfase à proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital, reconhecendo a condição de hipervulnerabilidade desse público. O avanço ocorre em um contexto de crescente coleta massiva de dados, uso de algoritmos de recomendação, publicidade direcionada e exposição a conteúdos potencialmente prejudiciais. Com a nova estrutura, espera-se que a ANPD intensifique a edição de normas específicas, orientações técnicas e ações fiscalizatórias voltadas à proteção de dados de menores, estimulando práticas de privacy by design, mecanismos eficazes de verificação etária e maior responsabilidade das plataformas digitais.

A transformação da ANPD em agência reguladora também fortalece a posição do Brasil no cenário internacional, contribuindo para o reconhecimento de sua maturidade regulatória e para o diálogo com outras autoridades estrangeiras. Esse movimento pode gerar impactos positivos em acordos de cooperação, fluxos internacionais de dados e segurança jurídica para organizações que atuam globalmente, consolidando a proteção de dados como pilar estratégico da governança digital brasileira.

Referências:
https://www.gov.br/anpd/pt-br/assuntos/noticias/congresso-aprova-mp-que-transforma-a-anpd-em-agencia-reguladora-e-fortalece-a-protecao-de-criancas-e-adolescentes-no-ambiente-digital
https://legis.senado.leg.br/sdleg-getter/documento?dm=10162152&ts=1772126902148&rendition_principal=S&disposition=inline

Reddit é multado em R$ 100 milhões no Reino Unido por coleta de dados de crianças

A autoridade britânica de proteção de dados aplicou multa de aproximadamente R$ 100 milhões ao Reddit em razão de falhas relacionadas à coleta e ao tratamento de dados pessoais de crianças. Segundo a apuração, a plataforma não teria implementado mecanismos suficientemente eficazes para verificar a idade dos usuários nem adotado salvaguardas adequadas para impedir que dados de menores fossem tratados em desacordo com as normas de proteção de dados. O caso se insere no contexto de aplicação rigorosa do UK GDPR e do Children’s Code (Age Appropriate Design Code), que estabelece padrões específicos para serviços digitais acessíveis a crianças.

A decisão evidencia a postura cada vez mais firme das autoridades europeias quanto à proteção de dados de menores, considerados titulares em condição de hipervulnerabilidade. Entre as exigências regulatórias estão a minimização de dados, configurações de privacidade por padrão mais restritivas, transparência em linguagem acessível e a limitação do uso de dados para fins de publicidade comportamental. A ausência ou fragilidade desses mecanismos pode caracterizar violação aos princípios da finalidade, necessidade e proteção integral do melhor interesse da criança.

O episódio também reforça que plataformas digitais devem adotar medidas técnicas e organizacionais robustas, incluindo sistemas confiáveis de verificação etária, avaliação de impacto à proteção de dados (DPIA) quando houver alto risco e práticas de privacy by design e by default. A responsabilização financeira expressiva demonstra que a proteção de dados de crianças deixou de ser apenas uma preocupação reputacional ou ética, consolidando-se como um risco jurídico e regulatório concreto, com potencial impacto financeiro significativo e reflexos na governança global das empresas de tecnologia.

Referência:
https://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2026/02/24/criancas-tiveram-seus-dados-coletados-reddit-e-multado-em-r-100-mi-no-reino-unido.ghtml

Golpe utiliza reuniões falsas no Zoom, Teams e Google Meet

Criminosos têm utilizado convites falsos para reuniões em plataformas como Zoom, Microsoft Teams e Google Meet como vetor de ataque para roubo de credenciais e instalação de malware. A fraude geralmente começa com o envio de um e-mail ou mensagem que simula um convite corporativo legítimo, muitas vezes com identidade visual semelhante à original e linguagem urgente, como “reunião extraordinária”, “atualização contratual” ou “chamado da diretoria”. Ao clicar no link, a vítima é direcionada a uma página falsa de login (phishing) ou induzida a baixar um suposto plugin/arquivo necessário para participar da reunião, que na realidade contém código malicioso.

Esse tipo de golpe explora diretamente o contexto do trabalho híbrido e remoto, no qual reuniões virtuais se tornaram parte essencial da rotina organizacional. A familiaridade com essas ferramentas reduz a percepção de risco e aumenta a taxa de sucesso dos ataques. Uma vez obtidas as credenciais, os fraudadores podem acessar e-mails corporativos, sistemas internos, bases de dados e até utilizar a conta comprometida para aplicar novos golpes dentro da própria organização, ampliando o impacto do incidente e potencialmente gerando violação de dados pessoais.

Do ponto de vista de proteção de dados e governança, o cenário reforça a necessidade de medidas técnicas e administrativas robustas. Entre elas, destacam-se a implementação obrigatória de autenticação multifator (MFA), filtros avançados de e-mail com detecção de phishing, políticas claras de verificação de convites externos e restrição à instalação de softwares não autorizados. Além disso, treinamentos periódicos de conscientização em segurança da informação com simulações de phishing, são fundamentais para reduzir o fator humano como ponto de vulnerabilidade. Em caso de incidente, é essencial que a organização possua plano de resposta estruturado, capaz de conter o dano, avaliar eventual comprometimento de dados pessoais e, se necessário, cumprir obrigações de comunicação previstas na LGPD.

Referência:
https://minutodaseguranca.blog.br/golpe-usa-reunioes-falsas-no-zoom-teams-e-google-meet/

Fraudadores usam Shopee e LATAM para capturar CPF de vítimas

Golpistas estão utilizando o nome de grandes marcas, como Shopee e LATAM, para aplicar golpes que visam capturar dados pessoais, especialmente CPF, mas também informações como data de nascimento, endereço, dados bancários e códigos de verificação. As fraudes geralmente chegam por e-mail, SMS, WhatsApp ou anúncios patrocinados, com mensagens que simulam promoções imperdíveis, problemas na entrega de encomendas, necessidade de confirmação de compra ou supostas pendências em passagens aéreas. Ao clicar no link, a vítima é direcionada a páginas falsas que reproduzem com alto grau de fidelidade a identidade visual das empresas.

O uso indevido de marcas amplamente reconhecidas aumenta significativamente a credibilidade do golpe, reduz a desconfiança do consumidor e eleva a taxa de sucesso da fraude. De posse do CPF e de outros dados, criminosos podem realizar cadastros fraudulentos, solicitar crédito, aplicar golpes financeiros ou revender as informações em mercados ilícitos. Em muitos casos, o prejuízo à vítima vai além da perda financeira imediata, envolvendo danos à reputação, restrições indevidas em órgãos de crédito e necessidade de medidas administrativas e judiciais para regularização.

Sob a perspectiva de proteção de dados e governança, o cenário reforça a importância da educação digital dos usuários, com campanhas de conscientização sobre verificação de links, conferência de domínios oficiais e desconfiança de comunicações urgentes ou vantajosas em excesso. Para as empresas, o desafio envolve monitoramento ativo de uso indevido da marca, adoção de mecanismos antifraude, canais oficiais claros de comunicação e resposta rápida à identificação de páginas falsas. A atuação diligente na prevenção e no combate a fraudes não apenas protege consumidores, mas também reduz riscos reputacionais e potenciais responsabilizações relacionadas à segurança da informação e à proteção de dados pessoais.

Referência:
https://minutodaseguranca.blog.br/fraudadores-usam-shopee-e-latam-para-captura-de-cpf/

Vazamento de dados do PayPal é confirmado

Foi confirmado um incidente de segurança envolvendo dados associados ao PayPal, reacendendo o alerta sobre a crescente sofisticação de ataques direcionados a grandes plataformas financeiras. Embora os detalhes técnicos possam variar conforme o avanço das investigações, casos dessa natureza normalmente envolvem exploração de credenciais comprometidas, engenharia social, ataques de phishing em larga escala ou uso de credenciais obtidas em vazamentos anteriores (credential stuffing). Considerando o volume de transações e a quantidade de dados financeiros tratados por esse tipo de plataforma, o impacto potencial aos titulares pode incluir fraudes, movimentações indevidas, tentativas de abertura de contas e golpes subsequentes.

Incidentes envolvendo instituições financeiras ou meios de pagamento possuem gravidade ampliada, pois combinam dados pessoais identificáveis com informações financeiras sensíveis. Isso aumenta o risco de danos materiais e morais aos titulares, além de gerar relevantes consequências regulatórias e reputacionais para a organização envolvida. Dependendo da extensão do comprometimento, podem estar em jogo dados como nome, e-mail, número de telefone, informações de conta, histórico de transações e outros elementos que permitem perfilhamento ou fraude direcionada.

Do ponto de vista de governança e conformidade, o episódio reforça a necessidade de gestão contínua de riscos cibernéticos, com monitoramento proativo de acessos, detecção de comportamentos anômalos, autenticação multifator robusta e políticas de segurança alinhadas a padrões internacionais. Também evidencia a importância de um plano estruturado de resposta a incidentes, capaz de identificar rapidamente a extensão do evento, conter a ameaça e avaliar a necessidade de comunicação às autoridades competentes e aos titulares afetados, conforme previsto na LGPD e em normas internacionais aplicáveis. Transparência, agilidade e responsabilidade na comunicação são fatores determinantes para mitigar danos e preservar a confiança dos usuários.

Referência:
https://minutodaseguranca.blog.br/vazamento-de-dados-do-paypal-confirmado/

A Importância do DPO as a Service na Proteção de Dados

As notícias desta semana reforçam que a proteção de dados, a segurança da informação e a proteção de crianças no ambiente digital estão no centro das decisões regulatórias e dos riscos corporativos. A transformação da ANPD em agência reguladora fortalece sua autonomia e amplia sua capacidade de fiscalização, especialmente em temas sensíveis envolvendo menores, enquanto a multa milionária aplicada ao Reddit no Reino Unido por coleta de dados de crianças evidencia o rigor crescente das autoridades internacionais. Paralelamente, golpes com reuniões falsas em plataformas como Zoom, Teams e Google Meet, o vazamento de dados envolvendo o PayPal e fraudes utilizando marcas como Shopee e LATAM demonstram que os riscos cibernéticos continuam em expansão, exigindo das organizações governança sólida, medidas técnicas eficazes e uma cultura permanente de proteção de dados.

Nesse cenário de exposição constante e ambientes digitais complexos, o DPO as a Service surge como uma solução estratégica para elevar o nível de maturidade em privacidade e segurança da informação. O modelo oferece suporte técnico e jurídico especializado, atualização regulatória contínua, atuação preventiva na gestão de riscos e apoio no relacionamento com a ANPD e os titulares de dados. Mais do que atender à LGPD, o DPO as a Service fortalece a governança de dados, protege a reputação institucional e contribui para a sustentabilidade digital das organizações.


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