Os Desafios da IA: Impacto Ambiental e Privacidade Humana

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Rafael Susskind
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A Inteligência Artificial (IA) está entre as forças mais transformadoras do século XXI. Ela já faz parte do nosso cotidiano por meio de assistentes virtuais, diagnósticos médicos, algoritmos de recomendação e sistemas de análise preditiva. Esses avanços mostram como a IA remodela setores inteiros, como a saúde, o varejo e a educação. Mas, ao mesmo tempo em que celebramos seus benefícios, é essencial discutir com seriedade os riscos que ela representa — principalmente para a privacidade das pessoas e para o meio ambiente, que muitas vezes é deixado de lado nessas conversas.

De onde veio a Inteligência Artificial?

A ideia de criar máquinas capazes de simular o raciocínio humano não é recente. A IA surgiu oficialmente como um campo de estudo em 1956, durante a conferência de Dartmouth, nos Estados Unidos. Nomes como John McCarthy, Marvin Minsky e Alan Newell lideraram os debates, acreditando que, com algoritmos e poder computacional, seria possível criar máquinas inteligentes.

Desde então, a IA passou por ciclos de entusiasmo e frustração. Houve avanços importantes nas décadas de 1980 e 1990, mas foi com o surgimento do machine learning e do deep learning que a tecnologia realmente acelerou. Isso aconteceu porque o mundo passou a gerar mais dados, o poder de processamento aumentou significativamente, e a conexão global tornou possível o desenvolvimento de modelos extremamente sofisticados — como os que usamos hoje em ferramentas baseadas em linguagem natural.

A Privacidade em Jogo com a IA

A maior parte dos sistemas de IA depende de grandes volumes de dados para funcionar corretamente. E muitos desses dados são pessoais: incluem preferências, localização, histórico de navegação, voz, imagem e textos. Então, quando esses dados são usados sem o devido consentimento ou de forma indiscriminada, os princípios da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), como transparência, finalidade e necessidade, são violados.

Outro fator preocupante é o uso da IA na tomada de decisões automatizadas, como análise de crédito, triagem de currículos, sentenças judiciais ou vigilância comportamental. E, se essas decisões não forem transparentes, revisáveis e auditáveis, podem gerar resultados enviesados, injustos e até discriminatórios.

Além disso, o uso da base legal do legítimo interesse, muito adotada para justificar o tratamento de dados pessoais via IA, requer mais cuidado ainda. Porque é necessário demonstrar que os direitos dos titulares não estão sendo colocados em risco.

O Impacto Ambiental Invisível da IA: O Consumo de Água

Os riscos da IA vão além do digital. E um deles, que ainda recebe pouca atenção, é o impacto ambiental, especialmente o uso intensivo de água para manter a infraestrutura que sustenta essa tecnologia. Modelos como o ChatGPT funcionam a partir de servidores que precisam ser resfriados continuamente, e isso exige grandes quantidades de água.

Estudos recentes indicam que o treinamento e a execução de modelos de IA podem consumir centenas de milhares de litros de água. Uma simples interação com IA pode demandar até 500 ml de água, apenas para garantir que os servidores funcionem na temperatura ideal. Então, em escala global, o consumo torna-se preocupante — principalmente em locais onde a água já é um recurso escasso.

Os 15 Maiores Riscos da IA, Segundo a Forbes

Em junho de 2023, a Forbes Brasil publicou o artigo “Os 15 Maiores Riscos da Inteligência Artificial”, chamando atenção para ameaças reais que acompanham o avanço tecnológico. Entre os principais pontos listados, estão:

  • Vigilância e invasão de privacidade;
  • Decisões automatizadas opacas;
  • Discriminação algorítmica;
  • Consumo elevado de recursos naturais;
  • Desinformação provocada por IA generativa;
  • Falta de transparência nos algoritmos.

Esses riscos não ficam apenas no ambiente digital, porque eles se refletem diretamente na sociedade. A IA tem impacto sobre os direitos fundamentais, sobre a justiça social e sobre o meio ambiente. Por isso, é urgente estabelecer limites, criar mecanismos de governança e priorizar uma abordagem sustentável para o desenvolvimento dessas tecnologias.

Caminhos para uma Inteligência Artificial Ética e Sustentável

Para que o avanço da IA ocorra de forma segura e responsável, algumas medidas precisam ser implementadas com urgência:

  • Realizar avaliações de impacto à proteção de dados (DPIA);
  • Garantir transparência e possibilidade de auditoria nos algoritmos;
  • Monitorar o consumo de energia e água nos data centers;
  • Priorizar modelos de IA mais eficientes e menos intensivos em recursos;
  • Envolver profissionais especializados em privacidade, ESG e direito digital no debate.

E, além disso, é importante que as organizações adotem uma postura proativa, integrando valores éticos desde o início do desenvolvimento de qualquer solução baseada em IA.

Conclusão

A Inteligência Artificial representa um enorme avanço tecnológico, mas ela também traz desafios que não podem ser ignorados. E entre os mais urgentes estão a proteção da privacidade humana e o impacto ambiental, especialmente o consumo de água. Como sociedade, precisamos exigir que a IA seja transparente, ética e sustentável — respeitando tanto os dados pessoais quanto os recursos naturais do planeta.

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